Jun 15

Na última crónica ao falar dos autores de BD em Portugal, cometi um erro comum neste país, falei essencialmente de desenhistas esquecendo os argumentistas.Os argumentistas são os parentes pobres da BD, o seu trabalho é na maior parte dos casos inclusive, e neste país onde se dá pouco valor ao argumento, oiço as pessoas queixarem da pouca qualidade dos argumentos dos álbuns nacionais, contudo menospreza-se o trabalho do argumentista. Para tornar a situação um pouco mais ridículas e a maioria das pessoas parece ignorar que geralmente a BD é um trabalho de equipa. Só para dar alguns exemplos: não havia Incal sem Jodorowsky , Blueberry sem Charlier ou Asterix e Lucky Luke sem Gosciny.

Mas este é um detalhe do qual não se fala ou menciona, e quem quer ser argumentista em Portugal ouve várias vezes a frase que “nem toda a gente pode ser pode ser um Alan Moore ou um Neil Gaiman”. O que não é mentira, só que esquecem que os grandes autores completos também também são muito poucos. Ser um bom argumentista/escritor é difícil, ser um bom artista (desenhista/ilustrador) é também difícil, conseguir dominar o aspecto gráfico e a escrita é algo que só está ao alcance de poucos. E existem muitos casos de autores completos que começaram só por ser desenhistas, e só mais tarde após dominarem o aspecto gráfico se dedicaram a uma carreira a solo. Um desses casos é Enki Bilal por exemplo antes de se lançar a solo ilustrou durante vários anos argumentos de Pierre Christin o mesmo argumentista que escreveu Valerian.

Contudo no meio bedéfilo nacional a banda desenhada a parte gráfica é sobrevalorizada e o argumento desprezado. O que importa é o desenho, a escrita é ignorada. Nos últimos anos tem sido publicados em Portugal vários livros de argumentistas consagrados da BD mundial como Neil Gaiman, Alejandro Jodorowsky e Alan Moore. Esses livros passaram completamente ao lado do meio bedéfilo – autores, críticos e leitores - enquanto um exposição de um autor/ilustrador completamente desconhecido, é um evento obrigatório para quem gosta de BD.

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Jun 14

Em Portugal devido ao facto dos autores produzirem BD por prazer, ou por ter algo a comunicar, a maioria do material publicado é a chamada “BD de autor”, isto não quer dizer que os autores pretendam alienar o público, simplesmente são as histórias que eles tem para contar. Contudo noutros países em que existem mercados dinâmicos a “BD de autor”, é a minoria do material publicado, mas à semelhança de Portugal existem alguns mercados, como o espanhol e o brasileiro, que apesar de serem mercados “dinâmicos” onde se publicam milhares de títulos por ano, a banda desenhada produzida pelos autores locais também é na sua maioria “BD de autor”. Em Espanha e no Brasil, os autores que pretendem desenvolver material mais comercial estão a trabalhar para o mercado francófono, ou para o mercado norte-americano.

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Jun 14

[nota introdutória, As Crónicas do Submunco começaram a ser publicadas no site BDesenhada, como tem estado parado nos últimos meses, e não sei quando pretende voltar á actividade, vou republicar aqui as duas primeiras crónicas e depois prosseguir com a publicação da inéditas.]

01 - E ASSIM COMEÇAMOS…

É habito e tradição que na primeira crónica ou coluna de opinião o autor justifique o seu nome, geralmente costuma só ocupar um parágrafo, contudo este título merece uma crónica sobre si próprio.

Num país em que se adora usar expressões estrangeiras em detrimento das expressões portuguesas, ser underground é um estatuto que muitos gostam de ostentar, infelizmente 90% da BD em Portugal é underground, mesmo aquela pretende ser mainstream. Por isso deixemo-nos de tretas, quando se fala de BD em Portugal estamos a falar numa actividade que por si só underground, alternativa, e já que prefiro usar expressões em português, sempre que disponíveis o titulo é crónicas do submundo.

Ora, em português submundo possui uma conotação pejorativa, associamos imediatamente ao submundo do crime, a actividades ilícitas onde se utilizam métodos um pouco dúbios. Só que, sinceramente, submundo adqua-se na perfeição á BD em Portugal. Não estou a dizer que somos criminosos, também estou incluído no lote dos elementos que fazem este submundo girar, e eu ainda não fui condenado ou sequer julgado por qualquer crime, aliás tirando um pedófilo, a maioria da malta até tem vidas muito respeitáveis fora da BD.

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