Jan 24

(O estado da BD em Potugal)
Hoje termina esta série de artigos, cujos capitulos anteriores anteriores arquivados em Evoluir ou Morrer.
Capítulo 07: Conclusões

Na última década o mercado da BD em Portugal sofreu várias alterações, que mudaram completamente o modo como este funcionava e os seus intervenientes.

Nessa década o aspecto mais negativo foi o desaparecimento da BD dos quiosques, contudo houve umas aspecto muito positivo, surgiram novas editoras o que aumentou a variedade e diversidade do material disponivel nas livrarias.

O futuro da BD passa por aí, sendo necessário que esse mercado seja aproveitado, e acima de tudo existe a necessidade urgente de as editoras se habituarem a conviverem num mercado plural e competitivo. É que o tempo em que existia uma só editora a dominar o mercado terminou e não voltará a existir. Actualmente existem várias editoras no mercado, e a tendência é que o número aumente com o surgimento de pequenas editoras, ou projectos um pouco mais ambiciosos.

Para o mercado continuar a suportar esta diversidade é necessário rever práticas actuais, e procurar soluções para captar novos públicos.

A divulgação da BD em Portugal é praticamente inexistente, o pouco espaço que havia nos jornais foi desaparecendo, e para voltar a surgir, será necessário existir um mercado estável com uma ritmo de edição regular.

A grande ferramenta de comunicação e divulgação que é a internet continua a ser mal aproveitada, e o surgimento de blogs sobre BD é na sua maioria feito por apreciadores de BD estrangeira, que a consomem na língua original. A maioria dos que escrevem na net sobre BD por pessoas que não tem formação jornalística. A razão porque os “jornalistas” abdicaram da BD é preocupante, mais preocupante só o facto de os actuais aspirantes a jornalista não terem vontade, ou desejo, de analisar e divulgar a BD. Existem projectos sobre música, cinema e outras áreas, mas na banda desenhada, a maioria continua a ser feito mais de boa vontade do que de qualidade, mesmo aqueles que em tempos escreviam para fanzines, desapareceram ou escrevem esporadicamente para algum jornal.

A irregularidade das editoras torna difícil qualquer projecto de divulgação, mas é estranho ver que existe poucos projectos, e que os poucos que existem dedicam mais tempo ao seu umbigo e preferências pessoais do que a uma tentativa de divulgar, reflectir e criticar o que existe em Portugal.

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Jan 23

(O estado da BD em Portugal)

De regresso após ter descansado no fim de semana. Capítulos anteriores arquivados em Evoluir ou Morrer.

06: As editoras, o elo mais fraco.
O elo mais fraco do mercado são as editoras, são elas que se encontram perante o dilema de se adaptarem, mudarem, evoluírem ou morrerem.
Os leitores continuarão a encontrar BD, nem que seja em inglês, francês ou português do Brasil. Os autores vão continuar a produzir quando tiverem vontade e a publicar onde puderem. As lojas da especialidade vão continuar a importar e a vender. As editoras ou se adaptam ou morrem.

É neste ponto que se pode fazer um comparação com mercados mais dinâmicos. Em França, em Espanha, nos Estados Unidos e noutros mercados, também houve crises, também há problemas, contudo lá fora as editoras souberam evoluir e adaptar-se aos novos tempos, não foram todas, houve aquelas que também desapareceram, mas existem grandes e pequenas editoras, com 15 ou mais anos de existência a editar BD, devido á sua capacidade de adaptação. A única editora em Portugal que edita actualmente, e que possui um historial na edição da BD é a Asa, mas durante uns 5 anos ou mais ela limitou-se a editar uns álbuns de Luis Louro, e pouco mais, só em 2002 voltou a ter uma secção de BD, além disso a sua principal fonte de rendimento não é a BD, porque essa se calhar até dá prejuízo. As restantes editoras nacionais estão no negócio há uma década ou menos, e se querem continuar a editar por mais umas décadas, terão de encontrar soluções para cativar novos públicos, abdicar de hábitos perniciosos.

O principal vício das editoras é a irregularidade. Com excepção da Asa que continua num frenesim editorial quase ilógico, a prática comum das editoras nacionais é muito simples e também ela ilógica. Uma editora está 2, 3 ou 4 meses sem publicar um álbum depois, edita uma fornada de títulos (por vezes a fornada são só 2 titulo mas enfim…). Este facto causa um efeito pernicioso no mercado. Os leitores perdem o hábito de irem ás livrarias à procura de novidades, e aqueles que vão com regularidade são os clientes das lojas especializadas ou das FNACs, porque esses clientes sabem que vão encontrar novidades, embora sejam importadas.

Comprar BD é um hábito, até lhe podemos chamar vício, do mesmo modo que são os livros, a música, os filmes. Quem gosta de cinema, vê cinema com regularidade, mesmo quem não vai ao cinema, aluga/compra DVDs ou vê os filmes na TV. Em qualquer das áreas que mencionei, existem novidades todos os meses, quando não é todas as semanas, o cliente tem sempre algo novo, existe um hábito de compra.
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Jan 22

(O estado da BD em Portugal)

De regresso após ter descansado no fim de semana. Capítulos anteriores arquivados em Evoluir ou Morrer.

Capítulo 05: Problemas das distribuição (03: As Lojas da Especialidade)

Um dos erros comuns na análise do mercado nacional, é apontar a irrelevância d as lojas especializadas em Portugal para a facturação das editoras, em contraponto com outros mercados onde as lojas especializadas tem um papel fulcral na facturação das editoras. E temos a queixa de que algumas nem sequer venderem álbuns editados em Portugal.
Em mercados dinâmicos e maduros, as lojas especializadas em BD surgiram para vender a BD produzida nesses países. As lojas nacionais de BD surgiram para vender BD importada, é essa a sua razão de ser, a sua razão de existir. Convém lembrar que as 3 lojas mais antigas, as precursoras BDMania, Mongorhead, Mundo Fantasma, existem há mais tempo do que as editoras de BD que se encontram actualmente no mercado.
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Jan 19

(O estado da BD em Portugal)

Capitulos anteriores arquivados em: evoluir ou morrer.

Capítulo 04: Problemas da distribuição (02: A selva das livrarias)

Como mencionei anteriormente as livrarias são o ponto de venda por excelência da BD nacional, derivado à equação investimento/risco/lucro.

O facto da banda desenhada ser vendida essencialmente em livrarias, não significa que tenha aí um lugar de relevo. Em 1997 só havia praticamente uma editora em actividade. O espaço que estava reservado à banda desenhada não era muito grande. Actualmente ocupa é sensivelmente o mesmo espaço. Quando a VitaminaBD, a Polvo e a Witloof começaram a editar, existiu um pequeno aumento desse espaço, contudo a falência da Mériberica veio ter um efeito pernicioso para o mercado, ao deixar órfãs as duas séries de maior sucesso em Portugal - Astérix e Lucky Luke – facto que originou uma luta surda pelos direitos desses personagens entre as editoras que estavam no mercado e outras que surgiram. A miragem de adquirir os direitos dos dois grandes bestsellers da BD em Portugal, e ocupar o lugar deixado vago pelo defunto colosso, originou um política de edição suicida. Verificou-se uma explosão de títulos editados, e para complicar ainda mais verificou-se a publicação de várias colecções de BD pela maioria dos jornais.

Esse aumento produção absurdo não foi derivado a um aumento da procura, ou sequer a um acréscimo do interesse pela BD. Foi única e exclusivamente derivado num aumento do investimento por parte das editoras, sem terem como base qualquer plano de sustentação a curto e médio prazo, excepto o esperar por um milagre e a falência da concorrência.


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Jan 18

(O estado da BD em Portugal)

Capitulos anteriores arquivados em: evoluir ou morrer.

Capítulo 03: Problemas das distribuição (01: no geral e nos quiosques)

A distribuição é o maior das editoras, porque é a distribuidora fica com a maior fatia do bolo. Nenhuma distribuidora se contenta com menos de 50% do preço de capa, chegando a pedirem 60%.

Contudo, convém salientar que desconheço qual a percentagem da tiragem que é vendida pela distribuidora, e qual a vendida directamente pela editora.
Uma vez que algumas editoras fazem distribuição directa para as FNAC e cadeias de livrarias como a Bertrand. Ao retirarem à distribuidora essa parte do negócio, as editoras aumentam (supostamente) os lucros, mas retiram ao distribuidor os principais pontos de venda, pelo menos teoricamente.
É que em termos teóricos diz-se que as FNACs e as Bertrands são os maiores pontos de venda, chegando a representar sozinhas 75% das vendas de um livro.
Em que parte este factor é causa para um aumento da percentagem das distribuidoras é algo que desconheço. Causa ou consequência? Caberá a quem possui números afirmá-lo. Este pequeno pormenor não é exclusivo das editoras de BD, é prática comum no reino da edição (suicida) que se pratica em Portugal.

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Jan 17

(O estado da BD em Portugal)

Capitulo anteriore arquivados em: evoluir ou morrer.

Capítulo 02: O Mercado: como ele (re)surgiu

Falar de “mercado” de BD em Portugal, não é exactamente o mesmo que falar do “mercado” de BD em Espanha, França, Brasil, EUA e outros países. Há vários anos que a BD em Portugal, a “industria” da BD em Portugal é maioritariamente amadora, e feita de fogachos, de pequenas tentativas de publicar BD, geralmente feita por uns carolas que gostam de BD. Convém salientar que as editoras actualmente em activididade (Polvo, Devir, VitaminaBD) estavam a dar os primeiros passos há 10 anos atrás ou nem sequer existiam. A Asa na altura tinha parado de publicar BD por completo. Só retomando a publicação de BD em 2003. O colosso da BD nacional na altura era a Meribérica que entretanto faliu. Nos últimos 10 anos ainda foram surgindo e desaparecendo mais uma série de editoras. Na maioria dos casos são editoras a funcionar em regime de part-time. O facto de actualmente existirem mais editoras do que há uma década não significa que o mercado da BD tenha evoluído, em alguns casos até podemos dizer que regrediu. Hoje, do mesmo modo que em 1997, nenhuma editora se dá ao luxo de viver da BD que edita, aliás actualmente se tiverem lucro com o que editam até ficam contentes. Editores, tradutores e todos aqueles que de algum modo estão envolvidos na produção e edição da BD em Portugal, só trabalham na BD em part-time, geralmente tem outro trabalho ou editam outro tipo de produtos que dão lucro.

Actualmente a situação em termos de quantidade e diversidade do material publicado, é melhor do que há 10 anos, permite até falar de um mercado, mas esse mercado é muito débil, em muitos casos é uma criança que ainda não sabe muito bem o que faz. Continue reading »

Jan 16

(O Estado da BD em Portugal)

Esta é a primeira parte de um artigo sobre o mercado da BD em Portugal. Como é um artigo algo longo, foi dividido em capítulos que serão publicados diariamente para evitar a saturação do leitor.

Capítulo 01: PROPÓSITOS E CARTAS FORA DO BARALHO

Após uma explosão editorial que estilhaçou todos os recordes de títulos de BD publicados em Portugal. O mercado nacional encontra-se agora num ponto em que parece caminhar para a implosão se for-mos pessimistas, ou para uma normalização entre a Oferta e a Procura, se formos um pouco mais realistas.

Devido á inexistência de dados concretos para análise do mercado (em termos de vendas), este artigo é feito com base nos poucos números que foram transpirando ao longo dos anos. E tendo por base a minha vivência enquanto elemento desse “mercado” como comprador, autor e editor (de fanzines) há mais de uma década.

Mais do que um balanço ou previsão do que será o futura da BD em Portugal neste ano, pretendo pura e simplesmente apresentar um análise imparcial da evolução do mercado Português e de como se chegou á presente situação.

Foi durante a última década que o “mercado” como o conhecemos (re)surgiu e evoluiu.

Antes de continuar existe um ponto que convêm esclarecer, no mercado actual os autores nacionais, são quase irrelevantes. Contra mim falo, como (pretenso) autor, mas esta é a triste realidade. A tiragem média de um álbum de sucesso é de 1,500 exemplares. Este facto torna inviável a sobrevivência do autor, trabalhando unicamente em BD, ou mesmo de conciliar a actividade de autor com uma actividade mais lucrativa e que pague as contas.

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