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EVOLUIR OU MORRER [capítulo 03]
O Melhor do Pior Adeus Dylan Dog e Martin Mystére
Jan 18

(O estado da BD em Portugal)

Capitulos anteriores arquivados em: evoluir ou morrer.

Capítulo 03: Problemas das distribuição (01: no geral e nos quiosques)

A distribuição é o maior das editoras, porque é a distribuidora fica com a maior fatia do bolo. Nenhuma distribuidora se contenta com menos de 50% do preço de capa, chegando a pedirem 60%.

Contudo, convém salientar que desconheço qual a percentagem da tiragem que é vendida pela distribuidora, e qual a vendida directamente pela editora.
Uma vez que algumas editoras fazem distribuição directa para as FNAC e cadeias de livrarias como a Bertrand. Ao retirarem à distribuidora essa parte do negócio, as editoras aumentam (supostamente) os lucros, mas retiram ao distribuidor os principais pontos de venda, pelo menos teoricamente.
É que em termos teóricos diz-se que as FNACs e as Bertrands são os maiores pontos de venda, chegando a representar sozinhas 75% das vendas de um livro.
Em que parte este factor é causa para um aumento da percentagem das distribuidoras é algo que desconheço. Causa ou consequência? Caberá a quem possui números afirmá-lo. Este pequeno pormenor não é exclusivo das editoras de BD, é prática comum no reino da edição (suicida) que se pratica em Portugal.

Voltando ao essencial, a distribuição/venda de BD é feita em livrarias ou em quiosques. Cada um deste pontos do venda tem os seus problemas específicos, embora a percentagem do distribuidor se mantenha no mínimo dos 50% do preço de capa. Contudo cada um destes pontos de venda tem as suas particularidades e convém ser analisados em separados.

Os quiosques
Hoje em dia é quase impossível encontrar BD nos quiosques, em 1997 havia um oferta significativa, embora a maioria fosse de super-heróis; revistas da Disney ou Turma da Mónica. A maioria dessa BD era importada do Brasil, sobras das editoras brasileiras. As editoras portuguesas deixaram de apostar nos quiosques há vários anos devido a questões financeiras. Um título para ser vendido nos quiosque, tem de ter uma tiragem de pelo menos 3000 exemplares. Publicar uma revista mensal implica uma logística completamente diferente da publicação de um álbum, requer a existência e uma equipa permanente que assegure a publicação da revista a tempo e horas, se em vez de uma revista se publicarem mais, então os custos fixos com pessoal aumentam exponencialmente. Para tornar a situação ainda mais complicada é necessário vender mais de 2000 exemplares no mínimo, mesmo assim a editora irá ficar com sobras na ordem dos 1000 exemplares, que ficam a ocupar espaço em armazém ou têm de ser destruídas. Não é exactamente um investimento muito atractivo, especialmente quando as revistas de BD em Portugal são as únicas edições de quiosque incapaz de captar investimento publicitário, para ajudar a pagar as contas.

Como um álbum, para ser vendido numa livraria, pode ter uma tiragem a partir dos 500 exemplares, as revistas desapareceram para darem lugar aos álbuns, que são publicações que implicam um risco e um investimento menor; não requerem uma equipa fixa para a sua produção, o que os torna ainda mais apelativos para pequenas editoras, ou para quem pretenda ter uma. Contudo apesar de em 1997 não existir nenhuma editora portuguesa a editar revistas (com excepção de alguns títulos da Disney), era possível encontrar uma quantidade e variedade de títulos significativa.

A Editora Abril enviava mensalmente os títulos de super-heróis e ocasionalmente outros títulos, como Graphic Novels ou o Spirit de Will Eisner. Depois tínhamos outras editoras brasileiras a enviarem as suas sobras, embora fossem um pouco mais irregulares. Deste modo era possível encontrar nos quiosques revistas alternativas como a Chiclete Com Banana, Tex e outros fumetti, chegaram inclusive a serem distribuídas algumas mangas. Não existiam revistas portuguesas, mas as sobras do Brasil tomaram conta dos quiosques e permitiram que nesses pontos de venda a BD não desaparece-se.

Quando a Abril/Controljornal iniciou a publicação em Portugal de super-heróis, as sobras do Brasil deixaram de ser distribuídas, e as edições da Abril/Controljornal duraram pouco tempo fazendo com que a BD desaparece-se dos quiosques.

Antes da Devir começar a editar, e mesmo quando esta iniciou a sua actividade, ainda surgiram algumas edições brasileiras. Contudo estas edições foram “proibidas” ou “banidas” para evitar “concorrência desleal”.

Como as edições nacionais para os quiosques foram sempre inferiores em número de títulos, e mais irregulares que as edições brasileiras começou a haver menos revistas de BD nos quiosques, como passou a haver menos edições o espaço que estava reservado para a BD, foi diminuindo, como chegamos ao ponto de haver UMA revista de BD a ser publicada de 3 em 3 meses ou mais, o dono/empregado do quiosque passou a dar menos importância á BD do que já dava.

Para piorar a situação começaram a surgir outras publicações que vendem mais, dão mais lucro e são regulares. A BD perdeu lugar nas bancas e agora dificilmente vai recuperar. Posso estar enganado, mas em breve se poderá constatar quando as edições da Turma da Mónica (re)começarem a ser distribuídas, e caso venham mais alguns dos títulos que a Panini edita.

A principal razão para a BD ter perdido espaço nos quiosques foi porque deixou de haver BD para vender nesses locais, fosse ela publicada em Portugal ou na conchichina. Ao contrário de outros países em que a BD de banca/quiosques tem vindo a perder terreno devido só ao binómio: surgimento de outros produtos mais rentáveis, e um investimento dos editores no mercado de livrarias/lojas da especialidade, em Portugal , a BD foi perdendo espaço nos quiosques essencialmente a partir do momento em que a Abril/Controljornal começou a publicar super-heróis, e em que todas as edições brasileiras que eram para ser distribuídas em Portugal começaram a ser “barradas” para evitar “concorrência desleal”.

Resultado, hoje nem há (quase nenhuma) BD Brasileira nos quiosque, mas também não há Portuguesa. Se voltar a existir a curto prazo BD nesses locais, será devido ao regresso das edições brasileiras, porque não existe nenhuma editora nacional com capacidade financeira para investir nesse mercado.

Chegamos agora á situação irónica em que aqueles que “barraram” a vinda de material brasileiro, serem os mesmo que vão agora importá-lo, para ver se conseguem recuperar um espaço que perderam por culpa própria! Só que agora esse espaço está ocupado por outro tipo de publicações que foram surgindo, e saturam completamente o mercado.

A seguir: A selva das livrarias - presente e futuro, para o bem e para o mal.
Entretanto, podem ir comentando que eu não me importo!

5 Responses to “EVOLUIR OU MORRER [capítulo 03]”

  1. Paulo Costa Says:

    Alguns erros na parte cronológica. Na verdade, Dezembro de 1997 foi quando a Abril/Controljornal perdeu os direitos da Marvel. A edição nacional de Marvel/DC pela A/CJ começou em 1994.

    Desde 1988 que a Disney tinha as traduções feitas em Portugal. E como Disney sempre teve mais presença nas bancas que Turma da Mónica e Marvel/DC combinadas, bem mais de 50% do material à venda nas bancas era “made in Portugal”. Mais, quando a A/CJ ainda se chamava Abril Morumbi, editava várias revistas diferentes, tanto mensais (Pateta, Tio Patinhas, Disney Especial e Hiper Disney) como quinzenais (Donald e Mickey), entre 500 e 600 páginas por mês. Ou seja, mesmo sem sobras brasileiras, e embora houvesse apenas uma única editora, havia até uma quantidade considerável de material nas bancas.

    As edições brasileiras só foram “banidas” no tempo da Devir. Na verdade, o material da TEQE/Metal Pesado até chegava cá (embora fosse caro e a distribuição fosse errática). Quanto a revistas de outros projectos editorais anteriores, simplesmente não eram enviadas, porque esses projectos foram feitos pontualmente por editoras mais pequenas.

    Isto apenas serviu para provar que, em Portugal, BD nas bancas tem que ser em grande quantidade, de modo a ter um espaço próprio, editoras diferenciadas devem adoptar um formato comum de modo a poder juntar todo o material num local próprio, e uma editora pequena não tem hipóteses de sobreviver nas bancas nacionais sem gerar lucros ou consideráveis ou constantes. E a Devir quebrou essas três regras… Mas na altura nunca se poderia imaginar.

    E concordo em absoluto que agora é impossível voltar. Material barato só vende se tiver muita saída (ou seja, jornais ou revistas estilo Maria).

  2. Bruno De Campos Says:

    Isto é o que dá não ido conferir as datas. Depois tenho de corrigir.

    Mesmo assim creio que quando a A/CJ começou a publicar, as edições da Abril Jovem deixaram de aparecer. Uma política que na altura fazia sentido, já que a A/CJ fez um investimento significativo publicando aproximadamente umas 15 revistas.

    A importância/sucesso da Disney é que foi diminuindo em Portugal durante esta última década, chegando ao ponto de começar a vender menos que as edições da Mónica. Estas foram as únicas que desapareceram devido a problemas burocráticos (mudança da Globo para a Panini).

    As vendas da Disney vieram sempre a diminuir de tal modo que todas as revistas foram canceladas por falta de vendas.

    “Isto apenas serviu para provar que, em Portugal, BD nas bancas tem que ser em grande quantidade, de modo a ter um espaço próprio, editoras diferenciadas devem adoptar um formato comum de modo a poder juntar todo o material num local próprio, e uma editora pequena não tem hipóteses de sobreviver nas bancas nacionais sem gerar lucros ou consideráveis ou constantes. E a Devir quebrou essas três regras… Mas na altura nunca se poderia imaginar.”

    Podia imaginar-se eu ainda gostava de saber quais os números que reais das vendas das revistas da Marvel/DC brasileiras.

    É que segundo as minhas fontes, nunca chegaram a ultrapassar os 3,000 exemplares havendo mesmo algumas que vendiam menos.

  3. grimlock Says:

    Se se analisar bem a 1a editora a barrar as importações do Brasil foi a abril/controljornal,quando deixou as series mensais penduradas no continua durante a saga do clone na Marvel e nos x-men antes do inicio da era do apacalipse,oa unicos comics que furam essa barreira foram os da image da globo e a wizard tambem da globo.Entretanto a abril/controljornal,passou anos a reenviar para os quiosques e tabacarias reedições do material por eles publicado.

  4. Bruno De Campos Says:

    A A/C não passou ano a reenviar reedições de material.
    Eles simplesmente reenviavam, material publicado e que não tinha vendido. As edições encadernadas, eram pura e simplesmente as revistas originais com coladas e com um capa por fora, para dar o aspecto de “reedição”.

    E como eu mencionei:
    Quando a Abril/Controljornal iniciou a publicação em Portugal de super-heróis, as sobras do Brasil deixaram de ser distribuídas

    A “saga do clone” e a “era do apocalipse não chegaram a Portugal porque a A/C era suposto editar esse material, mas as revistas foram canceladas, e depois a Editora Abril perdeu os direitos de publicação do Material, quer no Brasil quer em Portugal.

  5. edin Says:

    Muito bom esse site tem de tudo da Turma da Monica

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