Esta deve ser a semana de por proscritos nos blogs…
Os portugueses já deram provas mais que suficientes para qualquer cão ou gato saber que eles têm memória fraca, mas esta eleição é anacrónica e assustadora. Salazar terá sido muita coisa, mas não foi, nem nunca será, o melhor português de sempre (seja lá isso o que for): foi, sim, um repugnante ditador teocrático que quebrou o nosso espírito com medidas aviltantes; e, em última análise, fê-lo de modo tão eficaz que a sua herança maldita ainda perdura e reverbera trinta e seis anos depois da sua morte. Já tinha observado, e comentado aqui n’O Sonho de Newton, que estavam em curso algumas operações literárias de branqueamento desta sinistra personagem (como a populista inclusão da biografia de Salazar na colecção Grandes Portugueses, editada pela Planeta DeAgostini, por exemplo), mas esta ideia possui uma ambição que me envergonha e devia envergonhar qualquer um que se dedique de forma directa ou tangencial à criação artística, à promoção de valores democráticos e à defesa do progresso.
O David Soares ficou um pouco chateado com a inclusão do Salazar n’Os Melhores Portugueses. Não discordo dele, mas só fiquei surpreendido por não terem Eusébio não ter entrado na lista!
